Tropical Conservation Science
December 2009 | Vol. 2 | Issue 4 | pages 374-468


Cobertura Florestal após agricultura itinerante: uma visão geral de pesquisas existentes | pages 374-387
Teegalapalli Karthik, Gopi G V e Prasanna K Samal

Na sua revisão sobre a cobertura florestal após agricultura itinerante, Teegalapalli e co-autores demonstram que a agricultura itinerante é considerada como a maior responsável pelo desmatamento global, mas a prática persiste pois proporciona subsistência para pelo menos 300 a 500 milhões de pessoas no mundo e é intrinsecamente ligada aos aspectos culturais, ecológicos, e econômicos das comunidades. Os autores observaram que a agricultura itinerante tem mostrado recobrir a vegtação mais rapidamente em termos de área basal, regeneração, e acúmulo de espécies mais do que outros solos modifcados pelo homem e subsequentemente abandonados, como pastagens, agroflorestas e plantações. Eles argumentam que a prática da agricultura itinerante pode ser sustentável e suportar a biodiversidade em cenário global, se grandes porções de floresta relativamente maduras forem preservadas.



Hístória de vida e ecológica correlacionada a extinção e persistência de primatas em fragmentos florestais: uma análise global | pages 388-403
Matthew A. Gibbons e Alexander H. Harcourt

No seu artigo, Gibbons e Harcourt seguem a premissa de que a perda de habitat e fragmentação são duas das principais ameaças à vida silvestre. Eles apontam que os conservacionistas sabem há muito tempo que espécies em risco nos pequenos fragmentos são sempre um subconjunto não aleatório da comunidade original e esse entendimento da biologia de extinção pode ajudar a refinar os esforços conservacionistas. Investigando as ameaças de riscos entre primatas, um incomum bem conhecido taxon de mamíferos das florestas tropicais, os autores não encontraram nenhuma relação significativa entre a área dos pequenos fragmentos nos quais espécies ou gêneros persistem em nenhum dos parâmetros biológicos que eles examinaram. Eles sugerem que a melhor explicação para esse resultado inesperado é que os menores fragmentos nos quais os primatas são atualmente estudados são geralmente tão pequenos que todas as espécies de primatas neles são fadados a longo prazo e, portanto, nenhuma ameaça biológica distingue os taxa em risco. Eles sugerem também que muitos estudos de primatas em fragmentos estão sendo conduzidos em fragmentos muito pequenos para a persistência em longo prazo de qualquer primata (média global de 1 km2) e, portanto, muito pequeno para produzir uma diferença na probabilidade de extinção entre as espécies. Os autores concluíram que as pesquisas e esforços em conservação devem ser direcionados em estimar a eficiência de preservação dos pequenos fragmentos florestais biológicos na conservação de espécies de primatas.



Levantamento rápido da eficiência de dispersão de sementes em uma floresta tropical | pages 404-424
Clément Lermyte e Pierre-Michel Forget

Produtos florestais não madeireiros (PFNMs) incluem frutos e castanhas, vegetais, peixe e caça, plantas medicinais, resinas, essências, cascas, fibras, bambus, rotins, e a hospedeiros de outras palmeiras e gramíneas. No seu artigo Lermyte e Forget apontam que muitos PFNMs são extraídos de espécies fortemente dependentes de animais para dispersão e recrutamento e argumentam que essas interações são altamente sensíveis à atividades antropogênicas. Trabalhando na Guiana Francesa e focando em uma espécie de árvore de sementes grandes acumuladas, Carapa surinamensis, os autores estabeleceram para desenvolver e testar um protocolo novo de levantamento rápido para amostrar e avaliar o impacto das atividades humanas como retirada de madeira e caça de dispersores de sementes e recrutamento de plântulas para C. surinamensis. Lermyte e Forget demonstram que enquanto esse novo protocolo é incapaz de capturar todas as complexidades do recrutamento de plântulas, uma das maiores vantagens dessa abordagem é que pode ser rápido e fácil de configurar e repetido sem material sofisticado e equipamento para espécies de frutos com tegumento duro, envolvendo sementes grandes, especialmente em florestas onde há uma urgente necessidade de se avaliar o impacto das atividades humanas para implementar a proteção dos recursos naturais e medidas de conservação.



Respostas das árvores ao efeito de borda e abertura do dossel em um fragmento de floresta tropical montana no sul da Costa Rica | pages 425-436
Cayuela, L., Murcia, C., Hawk, A. A., Fernández-Vega, J. e Oviedo-Brenes, F.

Florestas Tropicais montanas são um dos tipos menos conhecidos de florestas tropicais e tem sido sujeitas aos impactos das atividades humanas, resultando no seu desaparecimento e fragmentação. Trabalhando sob a premissa de que a fragmentação pode efetivamente reduzir o tamanho dos remanescentes de floresta tropical montana através do efeito de borda, Cayuela e co-autores analisaram a estrutura da floresta e composição ao longo do gradiente borda-interior em um fragmento tropical montano na Costa Rica para determinar se há uma interação entre clareiras e bordas. Eles demonstram que, através do efeito na composição de espécies tolerantes à sombra na periferia do fragmento, bordas podem estar efetivamente reduzindo o habitat disponível para esse grupo particular de planta.



Levantamento Ecológico rápido de morcegos no parque ecológico de Montelibano, Cordoba, Colômbia | pages 437-449
Elkin Y. Suárez-Villota, Javier Racero-Casarrubia, Giovany Guevara e Jesús Ballesteros

Considerando a rápida expansão das áreas urbanas às custas da vegetação nativa nos trópicos e a perda da biodiversidade resultante, um dos maiores problemas no planejamento da conservação é determinar a localização dos projetos conservacionistas orientados em ambientes urbanos e semi-urbanos. Elkin e co-autores argumentam que os levantamentos rápidos são importantes nesse processo, especialmente quando utilizam grupos animais indicadores como os morcegos. Eles aplicaram essa abordagem em um ambiente semi-urbano em Córdoba, Colômbia. Os resultados indicam que a criação de parques ecológicos, aliados a conservação de remanescentes florestais em áreas urbanas em expansão, é um importante mecanismo para a conservação de morcegos e dos organismos sustentados pela presença e atividades dos morcegos.



Uso sustentável do manguezal utilizando sistemas de melhoria de defumação de peixes: uma perspectiva de gerenciamento da Reserva de vida silvestre Douala-Edea, Camarão | pages 450-468
Njisuh Z. Feka, George B. Chuyong e Gordon N. Ajonina

Manguezais são fontes de subsistência para milhares de comunidades costeiras nos países tropicais do mundo, que tradicionalmente pescam, camarão, produtos florestais não madeireiros, madeira, e combustível à lenha delas. No seu artigo, Feka et al assinalam que extração de lenha para defumação comercial de peixes é uma das ameaças mais importantes para a sustentabilidade dos ecossistemas de mangues no Camarão. Esses autores indicam que uma abordagem para reduzir o consumo de combustível a lenha e melhorar as condições de trabalho para as pessoas é introduzindo sistemas melhorados de consumo de combustível. Utilizando pesquisas florestais e sócio-econômicas em três aldeias na costa Atlântica do Camarão, onde a madeira do manguezal é explorada e utilizada para defumação de peixes, os autores documentam que melhorar os sistemas de consumo de madeira combustível comparados ao sistema de consumo de madeira combustível tradicional irá reduzir o consumo de lenha do manguezal para a defumação de peixes em cerca de 60%. Os autores argumentam que além do sustento dos manguezais e melhoria na saúde da população local, melhorar o sistema de consumo de combustível a lenha também pode ajudar na redução de emissão de gases de efeito estufa, pela redução do consumo de biomassa vegetal extra.


Translation from English by Marina Lapenta

Estrada & Butler
Karthik et al.
Gibbons & Hartcourt
Lermyte & Forget
Cayuela et al.
Suárez-Villota et al
Feka et al